Cura e Desforma do Concreto

O cimento é um aglomerante hidráulico. As reações de hidratação para ganhar resistência, se processam em presença de água. Geralmente a água de amassamento para elaboração do concreto é suficiente para as reações de hidratação.

Quando a peça concretada for um pilar ou uma viga, poucas áreas de concreto ficam expostas para secar ou perder água. Não é o caso dos concretos de pisos e lajes. Nestes casos, uma área maior fica exposta ao sol e ao vento e perde água, que seria utilizada pelo cimento na hidratação para ganhar resistência. O concreto, nas primeiras vinte e quatro horas, exposto ao vento e ao sol, sem cura, pode perder até 33% de sua resistência final além do provável aparecimento de fissuras.

A água utilizada no preparo do concreto é necessária e suficiente para promover a cura. O sistema de cura na obra nada mais é que tentar impedir a saída desta água do concreto e não permitir que o mesmo fique seco. Pode-se conseguir estes objetivos com molhagem contínua, não no dia seguinte, mas, a partir do momento das operações finais de acabamento, por meio de colchão de areia úmida ou mesmo mantendo uma lâmina de água sobre a peça concretada.

A cura química, muito utilizada em pisos industriais, consiste em aspergir um látex sobre a superfície recém concretada. O látex, à base de parafina, borracha ou acrílico, se polimeriza quando perde água e se transforma em uma película que impede a saída de água do concreto. A posterior remoção deste produto é complicada e o mesmo restringe aplicações de produtos de acabamento por prejudicar a aderência ou penetração de líquidos como os endurecedores de superfície.

A nova norma de "Execução de Estruturas de Concreto" NBR 14931/2003, recomenda que a cura deva se estender por um período até que o concreto atinja resistência de 15,0 MPa. Recomenda-se na prática manter a cura por no mínimo cinco dias. Quanto melhor a cura maior a durabilidade do concreto. Uma laje recém concretada, exposta ao sol e seca, nunca deve receber um jato de água. O choque térmico é pior que não fazer cura.

Para comentar sobre desforma tem-se que comentar sobre módulo de elasticidade. O que é o módulo de elasticidade? É um valor, expresso em gigapascal, que caracteriza a maturidade do concreto. O concreto que atinge um determinado valor de módulo, quando submetido a um esforço, se deforma e ao cessar o esforço o mesmo volta ao estado inicial. Esta grandeza foi ignorada pelos engenheiros de obras por muito tempo. Pensava-se que bastava a resistência à compressão atingir um determinado valor para promover a desforma da peça. Primeiro, o módulo não cresce como a resistência à compressão. Desenvolve-se mais lentamente. Se o escoramento de peças que trabalham na flexão como uma laje ou uma viga, dependendo do vão, que é a distância entre os apoios for retirado antes do módulo ter atingido o valor de cálculo, a flecha apresentada pode ser maior que a esperada. Esta é a conseqüência estrutural para uma desforma antecipada.

Outro problema da desforma antecipada é quanto à cura. Podem-se retirar laterais de formas de vigas e pilares desde as primeiras horas, mas, e a cura da peça? A durabilidade? O concreto mais poroso, causado pela perda de água, permite a entrada de agentes agressivos, e a instalação de células de corrosão nas armaduras ou mesmo uma carbonatação mais intensa, também desprotegendo o aço. Uma boa dica para liberar mais cedo formas e escoramentos, não esquecendo a cura, é planejar a execução de linhas de reescoras incorporadas ao escoramento principal. Pode-se retirar todo um fundo de viga ou laje sem mexer nas reescoras. Não adianta retirar tudo e reescorar, o concreto já deformou.